domingo, 19 de junho de 2011

Apenas um lápis, um papel e uma ideia



Hoje assisti uma entrevista de Eduardo Bueno em um programa da TV Escola. Essa entrevista foi bem interessante porque ela foi feita numa escola estadual, na qual, alunos e professores questionaram e tiraram dúvidas do trabalho e vida do entrevistado.

Eu não conhecia Eduardo Bueno. Pela entrevista, soube que ele é jornalista, escritor e tradutor brasileiro; também é conhecido como Peninha. Dentre algumas obras que escreveu estão: a tradução de "On the Road", de Jack Kerouac, a biografia dos Mamonas Assassinas e, cinco livros sobre a história do Brasil para leigos. Confesso que não conheço muito sobre seus escritos, mas sua postura e maneira como respondia as questões me cativou, principalmente sobre o que falou em relação a 'Leitura e Escrita" nas escolas.

Ele me fez refletir sobre a importância incondicional do estímulo à leitura e a escrita. Ele nos contou que era um aluno extremamente inquieto, por isso não fazia parte da lista de estudantes exemplares em critérios de disciplina e notas. Mas, a leitura e a escrita lhe possibilitou crescer como sujeito crítico e pensador, como também, desenvolver trabalhos que ganharam reconhecimento nacional.

Às vezes fico me questionando até que ponto o sistema educacional realmente prepara nossos estudantes? Preparar para o vestibular é tudo? Nossos alunos ficam anos se preparando para realizar uma prova que vai lhe dizer se ele estudou o suficiente ou não.

Na verdade, entendo que eles são ensinados a se moverem dentro da estrutura; conheçam religiosamente cada ponto de tal. Esta ideia me fez lembrar sobre as pulgas amestradas. Conta a lenda que essas pulgas são colocadas dentro de um pote fechado por uma tampa. A medida que pulam, batem na tampa obstruindo sua saída do pote. Isso é repetido muitas vezes, fazendo com que elas se condicionem a chegarem somente a altura da tampa. Quando se abre a tampa, elas não conseguem sair, pois, foram domesticadas a se limitarem.

Penso que a leitura e a escrita seja a possibilidade de abrirem a tampa para não se limitarem a estrutura e possam aumentar a altura de seus saltos por meio da criatividade. Não podemos enjaular a fera criativa que tem nossos alunos, mas motivá-las a buscarem a liberdade da criação, da transformação. O trabalho do professor atualmente está amplamente difícil, porque a maioria dos alunos se acomodaram a pularem limitadamente dentro do pote. E não foi somente pela estrutura educacional, mas pela estrutura social apresentada ideologicamente pelas instituições de controle.

Pensando nisso tudo cheguei a seguinte conclusão: "Nunca imaginei que simples coisas como um lápis, um papel e uma ideia fossem capazes de revolucionar a vida de alguém."

Cleber Xavier


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tédio

Pensar no que escrever, no que pensar ou em que refletir; criar, inventar, reinventar, transformar, redirecionar alguma ideia, uma realidade; apresentar uma visão inédita, ou um ponto de vista conhecido mas rediscutido. Isso tudo parece ser uma tarefa trabalhosa. Às vezes temos tanta sede em escrever mas não sabemos sobre o que escrever. Ouço o barulho da rua: sons de motores de carros e motos passando ou buzinando; pessoas conversando e, luzes dos faróis atravessando o vidro da janela. A vida vai passando e nenhuma ideia na cabeça; a vida vai passando e nenhuma reflexão que acho ser importante escrever; a vida vai passando, a vida vai passando, a vida vai passando...

Ligo a Tevê e vejo vários programas, nenhum me interessa. Clico no botão "Channel" várias vezes. Há tantos canais, milhares de canais, como não achar um que me interessa? Como é possível? Parece que o problema consiste mais no sujeito do que no mundo externo que o cerca. Será que não tem um canal bom, ou eu não estou com paciência para nenhum tipo de programa. Pensando bem tem dias que realmente não tem nada de bom na tevê mesmo; esses dias costumam ser nos domingos rs.

 Enquanto não tenho ideia vou descrevendo o tempo passar. Mas passar o quê? E passa por quê? O dia vai escurecendo mais, as luzes das casas vão enfeitando o cenário, as ruas começam  ficar menos movimentadas e a vida continua passando. É ... a música de Cazuza tem toda razão "o tempo não pára". Enquanto o tempo não pára o mundo se mantém na dinâmica da vida. Quanto mais tento pensar em alguma ideia, menos ideias tenho.

Parece que escrever não é um ato voluntário e certo, mas é um ato provocado por uma inspiração. Enquanto não temos uma boa inspiração é como se a comida não tivesse um bom tempero.

É ... fico por aqui, sem ideia e sem reflexão. Será?

Cleber Xavier